quinta-feira, 10 de julho de 2014

Filme "Ela" trata do amor entre um homem e um sistema operacional

Um dos filmes concorrentes ao Oscar de Melhor Roteiro e Melhor Filme em 2014: "Ela". O longa é dirigido por Spike Jonze e estrelado pelo talentoso Joaquin Phoenix. A história, que se passa num futuro não muito distante (e não especificado), transita entre a Ficção Científica e o Drama, entre a poesia e a futurologia. A obra também pode ser vista como uma grande alegoria sobre a solidão e o amor e explora, com bastante originalidade, o relacionamento entre homem e máquina. Mais especificamente, entre um homem solitário e introspectivo, e o seu novo sistema operacional, o OS1.

O enredo de "Ela" gira em torno de "Theodore" (Joaquin Phoenix), um escritor de cartas à mão, que vive um período de dissolução após o fim do seu casamento com Catherine. Poucos dias antes de assinar os papéis do divórcio, ele resolve experimentar um recém-lançado sistema operacional dotado de inteligência e, o que é mais interessante, de personalidade e emoções praticamente humanas.

Chamando a si mesmo de "Samantha" e dotado de uma vez sexy (interpretada por Scarlett Johansson), o software logo mostra-se muito mais inteligente, espirituoso e emocional do que a propaganda prometia. Com o passar do tempo "Samantha" e "Theodore" passam a se comunicar e a se conhecer. O relacionamento aprofunda-se ao ponto de um se apaixonar pelo outro. E não para por aí. Além de fazer sexo virtual, o casal tenta tornar a relação mais carnal e apela para uma espécie de dublê de corpo.

Enquanto isso, "Theodore" se esforça para se relacionar com pessoas de verdade. Já "Samantha" vive uma espécie de jornada interior, buscando aprender, evoluir e descobrir como lidar com o "amor". Para quem gosta de tecnologia, e está acostumado com essa verdadeira enxurrada de aparelhos eletrônicos no dia a dia, "Ela" é um prato cheio. Também é praticamente impossível não se identificar com vários elementos presentes no nosso cotidiano como a mobilidade e o isolamento provocado pela dependência tecnológica.

Por outro lado o filme mostra como a tecnologia atual de reconhecimento de voz e a inteligência artificial ainda podem evoluir e se tornar capaz de resolver problemas, bem como ajudar o ser humano a viver melhor.

Entretanto, quem espera uma história recheada de efeitos especiais, vai se decepcionar. Nesse caso é melhor assistir "Gravidade". Pode-se dizer que "Ela" tem mais elementos de "Blade Runner" que de "2001: Uma Odisseia no Espaço". O sistema operacional "Samantha", aliás, assim como o famoso vilão "HAL 9000" também sabe cantar. Mas, ao contrário deste, tem voz muito mais "sexy" e um senso de humor infinitamente mais apurado.

A história em si, também está mais para um drama existencial do que para um filme de ficção científica. Seja como for não há dúvida de que "Ela" tem um roteiro original. Aliás, como há muito tempo não se via no cinema, e em se tratando de filmes de ficção científica. Não é à toa que o longa-metragem concorreu ao Oscar 2014 nessa categoria.

Ao contrário de outros filmes do gênero, ele não esbarra (demasiadamente) em clichês e, em muitos momentos, parece não seguir a cartilha de Hollywood e seus roteiros engessados e pré-fabricados (exceto por uma tendência cada vez maior dos roteiristas de encher os diálogos com palavrões desnecessários).

*Publicado em 25/02/2014 no Yahoo BR Finanças